Album

Blackout

Blackout

Data de Lançamento : 25 / ago / 1991
  1. Deixe Eu Pôr Meu Carro
  2. Muito Além Do Jardim
  3. O Que Você Quer?
  4. Maluco Beleza
  5. Sexo Blues
  6. Noite
  7. Fogo Do Inferno
  8. Aporrinhado Terminal
  9. Summertime Blues
  10. Robocop

Letras

Deixe Eu Pôr Meu Carro

(Marcelo Nova)

Hoje eu olhei o meu carro
Ele anda meio maltratado
E botá-lo na sua garagem, baby
Seria mais do que adequado

Dormir na rua é tão frio
E também muito perigoso
Me deixe pôr na sua garagem
Pois lá dentro é tão gostoso

Deixe eu pôr meu carro
Dentro da sua garagem
Prometo ter muito cuidado
Não sou de fazer barbeiragem

Deixe eu pôr meu carro
Dentro da sua garagem
Prometo ter muito cuidado
Não sou de fazer barbeiragem

Se a noite ela está fechada
Fica vazia o dia inteiro
Não vá abrir pra qualquer um, baby
Se lembre que eu pedi primeiro

O carro eu posso emprestar
Pra você dar uma banda
É só pôr a mão no câmbio, minha filha
Daí pra frente é você quem manda

Deixe eu pôr meu carro
Dentro da sua garagem
Prometo ter muito cuidado
Não sou de fazer barbeiragem

Deixe eu pôr meu carro
Dentro da sua garagem
Prometo ter muito cuidado
Não sou de fazer barbeiragem

Meu carro é de bom tamanho
Nem pequeno, nem comprido
É só você abrir a porta, baby
Eu fico muito agradecido

Vamos logo abra a garagem
E deixe o meu carro entrar
Pois se ele dormir aqui fora
Amanhã não vai querer pegar

Deixe eu pôr meu carro
Dentro da sua garagem
Prometo ter muito cuidado
Não sou de fazer barbeiragem

Deixe eu pôr meu carro
Dentro da sua garagem
Prometo ter muito cuidado
Não sou de fazer barbeiragem

Muito Além Do Jardim

(Marcelo Nova)

Estava deitado na cama, conversando com a minha mulher
E com a TV ligada num desses jornais qualquer
Meia hora de chuva e esta cidade já tá toda alagada
Treze corpos achados na favela que foi soterrada

Aqui ninguém vai morrer no Vietnã
Aqui ninguém vai rá-tá-tá-tá no Vietcong
Os garotos daqui não vão amar ninguém
Eles morrem de fome, antes de ser alguém
So let’s go, baby
Senão a gente vai perder o trem

E é tanto canal que eu já nem sei onde é que eu boto
Com uma mão na sua coxa e a outra no controle remoto
Se a malária é amarela e a cólera é verde bandeira
Nós somos um quarto imundo, colorido pra encobrir a sujeira

Aqui ninguém vai morrer no Vietnã
Aqui ninguém vai rá-tá-tá-tá no Vietcong
Os garotos daqui não vão amar ninguém
Eles morrem de fome, antes de ser alguém
So let’s go, baby
Senão a gente vai perder o trem

Eu desci cá pra selva, toda plantada de asfalto e neon
Onde fica esquisito o que na tela já não era tão bom
Uma mulher da rua me conta sonhos de alegria e fartura
Seus olhos como estrelas nesta noite cada vez mais escura

E lá no bar da esquina mais um profeta cospe fogo no ar
Fogo que nem essa chuva vai conseguir apagar
Uma criança sem braço, deitada no banco de jardim
Seu choro é alto e demente, agora ela olha pra mim

Aqui ninguém vai morrer no Vietnã
Aqui ninguém vai rá-tá-tá-tá no Vietcong
Os garotos daqui não vão amar ninguém
Eles morrem de fome, antes de ser alguém
So let’s go, baby
Senão a gente vai perder o trem
Senão a gente vai perder o trem

O Que Você Quer?

(Marcelo Nova / André Christovam)

O que você quer, não pretendo saber
Mas é melhor não blefar, talvez eu pague pra ver
O que você quer, hoje vou lhe escutar
Conte até cento e dez, que é pra não se enganar

O que você procura, querendo que eu facilite
Será algo escabroso, que nem você admite
O que foi que ficou estilhaçado no chão
Que deslizou em silêncio, por entre a palma da mão

Seja lá o que for, se você encontrar
Pode estar longe do agora, fora de hora e lugar

O que você quer, que o destino não deu
Talvez dormisse ao seu lado e você nem percebeu
O que você precisa, será mesmo que eu vi
Então diga outra vez pois eu já esqueci

O que você quer, ser minha irmã ou minha amante
Talvez deitadas na cama, as duas no mesmo instante
Por que você anseia perdão pra tanto pecado
Aqui não se tem certeza, nada é assim tão sagrado

Seja lá o que for, se você encontrar
Pode estar longe do agora, fora de hora e lugar

O que você procura no fundo do oceano
Profundo, frio, escuro, tão perigoso, um engano
Será que é doentio assim tão asqueroso
Ou apenas tristonho como um dia chuvoso

Se o mal acaba no bem, onde é que ele começa
Ainda não deu pra ver, o tempo passa tão depressa
É seu coração que se cala, é sua alma que arde
O que você quer, já está ficando tão tarde

Seja lá o que for, se você encontrar
Pode estar longe do agora, fora de hora e lugar

Seja lá o que for, se você encontrar
Pode estar longe do agora, fora de hora e lugar

Seja lá o que for, se você encontrar
Pode estar longe do agora, fora de hora e lugar

Seja lá o que for, se você encontrar
Pode estar longe do agora, fora de hora e lugar

Maluco Beleza

(Raul Seixas / Cláudio Roberto)

Enquanto você se esforça pra ser
Um sujeito normal e fazer tudo igual
Eu do meu lado, aprendendo a ser louco
Maluco total mas na loucura real

Controlando a minha maluquez
Misturada com minha lucidez

Vou ficar
Ficar com certeza maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza maluco beleza

Esse caminho que eu mesmo escolhi
É tão fácil de seguir, por não ter mais lugar pra ir

Eu vou controlando a minha maluquez
Misturada com minha lucidez

Vou ficar
Ficar com certeza maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza maluco beleza

Esse caminho que eu mesmo escolhi
É tão fácil de seguir, por não ter aonde ir

Controlando a minha maluquez
Misturada com minha lucidez

Vou ficar
Ficar com certeza maluco beleza
Eu vou ficar
Ficar com certeza maluco beleza

Sexo Blues

(Marcelo Nova)

Eu tô afim, eu tô afim, já não dá mais pra esconder
Eu tô afim, tô tão afim, já não consigo me conter
Você me chama pervertido, mas eu só quero é lhe comer

De manhã no sofá com as pernas de fora
Me pergunta que horas são, mas ereção nunca tem hora
Eu tô afim
Você me chama pervertido, mas eu só quero é lhe comer

De tarde na piscina com o seu rabo de sereia
Injetando adrenalina e sexo blues na minha veia
Eu tô afim
Você me chama pervertido, mas eu só quero é lhe comer

Eu tô afim, eu tô afim, já não dá mais pra esconder
Eu tô afim, tô tão afim, já não consigo me conter
Você me chama pervertido, mas eu só quero é huh

De noite no cinema, longos beijos no escuro
Meu chiclete amolece mas o resto fica duro
Pois eu tô afim
Você me chama pervertido, mas eu só quero é lhe comer

Na cama de madrugada você vira pro outro lado
Seu boa noite é tão seco, mas o colchão vai ficar molhado
Eu tô afim
Você me chama pervertido, mas eu só quero é lhe comer
Você me chama pervertido, mas eu só quero é lhe comer
Você me chama, mas eu só quero…

Noite

(Marcelo Nova)

O vento chega, sopra seco e afiado
Vem batendo tão pesado
Quer nocautear a noite

Dos quartos saem gemidos disfarçados
E arranha-céus desesperados
Apontam pra barriga da noite

Noite, talvez pelo seu tamanho
Me faz sentir um corpo estranho
Não lhe posso pertencer
Noite, eu lhe adoro e lhe detesto
Mas me conformo com o seu resto
O dia que vai nascer

Carros possuem olhos sempre acessos
Atropelam qualquer medo
Buzinando nos ouvidos da noite

Mendigos com seus passos vagabundos
De remorsos tão profundos
Cospem na cara da noite

Noite, talvez pelo seu tamanho
Me faz sentir um corpo estranho
Não lhe posso pertencer
Noite, eu lhe adoro e lhe detesto
Mas me conformo com o seu resto
O dia que vai nascer

Gritos, cortam o peito do silêncio
Murmúrios de nervos tão tensos
Ecoam na calada da noite

Prostitutas de insônia atrevida
Como corujas escondidas
Em baixo das saias da noite

Noite, talvez pelo seu tamanho
Me faz sentir um corpo estranho
Não lhe posso pertencer
Noite, eu lhe adoro e lhe detesto
Mas me conformo com o seu resto
O dia que vai nascer

Chuva de água mole em pedra dura
Viaja em nuvem tão escura
Urinando na boca da noite

Cães vadios rosnam por sua fatia
E vingam sua hidrofobia
Mordendo as pernas da noite

Noite, talvez pelo seu tamanho
Me faz sentir um corpo estranho
Não lhe posso pertencer
Noite, eu lhe adoro e lhe detesto
Mas me conformo com o seu resto
O dia que vai nascer

Fogo Do Inferno

(Marcelo Nova)

Não me queira solução
Pois eu sou o seu problema
Eu lhe tento, eu lhe amedronto
Eu sou o X do seu dilema

E o calor que me consome
Em cada gesto ou pensamento
É o do fogo do inferno
E não o mormaço de Ipanema

Você é tão previsível
Eu sou o susto e a surpresa
Ao meio-dia você almoça
Eu já comi sua sobremesa

E Marceleza é mesmo perigoso
Não adianta pôr seu pano quente
Todo ano tentam acabar comigo
Mas eu sou um sobrevivente

Baby, baby, baby, se você quiser pagar pra ver
Eu incendeio a sua alma você não vai se arrepender
Baby, baby, baby, se você quiser pagar pra ver
Eu incendeio a sua alma você não vai se arrepender

O que eu faço lhe confunde
O meu jeito lhe ofende
Já lhe mostrei minhas entranhas
Mas você não compreende

Que destino não se apaga
Quando já nasce traçado
Prefiro inteiro arder em chamas
Do que aos poucos congelado

Baby, baby, baby, se você quiser pagar pra ver
Eu incendeio a sua alma você não vai se arrepender
Baby, baby, baby, se você quiser pagar pra ver
Eu incendeio a sua alma você não vai se arrepender

Aporrinhado Terminal

(Marcelo Nova)

Saco cheio baby, de chupar o seu sorvete
Saco cheio baby, de lamber todo o seu creme
De cheirar essas “porcaria” e de ouvir essas “FM”

Saco cheio baby, de ganhar essa mixaria
Entediado toda noite, todo dia
E você só quer roupinha nova, você só quer danceteria

Você diz que é tão moderna, quer ser tão anos 90
Ok tá tudo bem, mas o meu saco não aguenta
Não aguenta, não aguenta, não aguenta

Saco cheio baby, de bancar o surdo mudo
Dessas pessoas que sempre acreditam em tudo
Que Deus é branco e que o Diabo é chifrudo

Saco cheio baby, de tanta mediocridade
É domingão, minha filha, seu baú da felicidade
Quanto ao futuro, eu já tô morrendo é de saudade

Você diz que é tão moderna, quer ser tão anos 90
Ok tá tudo bem, mas o meu saco não aguenta
Não aguenta, não aguenta, não aguenta

Saco cheio baby, de mais um plano infalível
Já tô retado, vou acabar baixando o nível
Faz tempo que já não tem luz, mas ninguém troca esse fusível

Saco cheio baby, de chupar o seu sorvete
Saco cheio baby, de lamber todo o seu creme
De cheirar essas “porcaria” e de ouvir essas “FM”

Você diz que é tão moderna, quer ser tão anos 90
Ok tá tudo bem, mas o meu saco não aguenta
Não aguenta, não aguenta, não aguenta

Minha filha, eu sou um aporrinhado terminal
Até sozinho aqui no quarto parece que tem gente demais
I wanna be alone

Summertime Blues

(Eddie Cochram / Jerry Capehart)

I’m a gonna raise a fuss, I’m gonna raise a holler
About workin’ all the summer just to try to earn a dollar
Every time I call my baby and try to get a date
My boss says “No dice, son, you gotta work late”

Sometimes I wonder what I’m gonna do
But there ain’t no cure for the Summertime Blues

Well my mom and papa told me “Son, you gotta make some money
If you wantta use the car to go a ridin’ next sunday”
Well, I didn’t go to work told the boss I was sick
“Now you can’t use the car ’cause you didn’t work a lick”

Sometimes I wonder what I’m gonna do
But there ain’t no cure for the Summertime Blues

I’m gonna take two weeks, gonna have a fine vacation
I’m gonna take my problem to the United Nations
Well, I called my congressman and he said, quote
“I’d like to help you, son, but you’re too young to vote”

Sometimes I wonder what the heck I’m gonna do
But there ain’t no cure for the Summertime Blues

Oh, there ain’t no cure for the Summertime Blues
Oh, there ain’t no cure for the Summertime Blues

Robocop

(Marcelo Nova)

Eu já nem sei se me lembro quando foi que começou
Estrela no peito xerife, bandido não perdoou
Eu fugia da escola pra poder ir pro cinema
Eu encarnava o mocinho, me fascinava o emblema

Hoje começo bem cedo, levanto pronto pra ação
Polícia dorme atento de quepe e cinturão
Então me sento na mesa, café com pão e biscoito
Mas não são feitas de açúcar as balas do meu trinta e oito

Meu carro parece um tanque, meu macacão camuflado
Mas eu só prendo mendigo, então pivete ou viado
Meu peito é feito de aço o meu plantão é noturno
Guardo uma grana arrochada na sola do meu coturno

Essa cidade tem câncer e este câncer é crime
Tumor que cresce e corrompe senhora nem se aproxime
As vezes sinto vergonha da minha corporação
Dos olhos que me fuzilam no meio da multidão

Eu amedronto as pessoas a quem devo proteger
Pensam que sou inimigo procuram se esconder
O meu andar assusta, o meu olhar intimida
Preço que todos pagamos por uma bala perdida

Recebo ordens de doidos, doidos por ordens da lei
Mas mesmo fora de ordem, ordens são ordens eu sei
Na esquina da Ipiranga onde cruza a São João
Tudo se move e acontece menos no meu coração

Meu pai não estava careta quando sangrou minha irmã
Depois me beijou na testa, me disse até amanhã
Então sumiu do planeta nas asas de um caminhão
Mas ainda vou encontra-lo, vou lhe dar voz de prisão

Eu chorava no quarto quando chegou a TV
Mas não disseram a verdade e nem mostraram porque
Minhas mãos banhadas de sangue, minhas mãos lavadas no horror
Pensaram que era outro filme, chamaram o patrocinador

Por isso eu sempre atiro, que é pra depois perguntar
Embora, as vezes eu me esqueça do que eu ia falar
Que bom que eu cheguei em casa pra beijar minha mulher
Ela me diz que é fiel pro que der e vier
Pro que der e vier

Deixe Eu Pôr Meu Carro // Marcelo Nova - Blackout
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