Album

Correndo O Risco

Correndo O Risco

Data de Lançamento : 3 / nov / 1986
  1. Simca Chambord
  2. Mão Católica
  3. Morte Ao Anoitecer
  4. Deus Me Dê Grana
  5. Ouro De Tolo
  6. Só O Fim
  7. O Que É Que Eu Tenho De Fazer?
  8. Tudo Ou Nada
  9. A Ferro E Fogo

Letras

Simca Chambord

(Marcelo Nova / Miguel Cordeiro / Karl Hummel / Gustavo Mullem)

Um dia meu pai chegou em casa, nos idos de 63
E da porta ele gritou orgulhoso, agora chegou a nossa vez
Eu vou ser o maior, comprei um Simca Chambord

O inverno veio impedir o meu namoro no jardim
Mas a gente fugia de noite, numa fissura que não tinha fim
Na garagem da vovó, tinha o banco do Simca Chambord

Fazendo Simca Chambord, fazendo Simca Chambord
Fazendo Simca Chambord, fazendo Simca Chambord
Meu pai comprou um carro, ele se chama Simca Chambord

E no caminho da escola eu ia tão contente
Pois não tinha nenhum carro, que fosse na minha frente
Nem Gordini, nem Ford, o bom era o Simca Chambord

O presidente João Goulart, um dia falou na TV
Que a gente ia ter muita grana, pra fazer o que bem entender
Eu vi um futuro melhor, no painel do meu Simca Chambord

Fazendo Simca Chambord, fazendo Simca Chambord
Fazendo Simca Chambord, fazendo Simca Chambord
Meu pai comprou um carro, ele se chama Simca Chambord

Mas eis que de repente, foi dado um alerta
Ninguém saía de casa e as ruas ficaram desertas
Eu me senti tão só dentro do Simca Chambord

Tudo isso aconteceu há mais de vinte anos
Vieram jipes e tanques que mudaram os nossos planos
Eles fizeram pior acabaram com o Simca Chambord

Acabaram com o Simca Chambord, acabaram com o Simca Chambord
Acabaram com o Simca Chambord, acabaram com o Simca Chambord
Eles fizeram pior, acabaram com o Simca Chambord

Mão Católica

(Marcelo Nova / Karl Hummel / Gustavo Mullem)

Nascer com o mal na alma
Pro batismo libertar
Carregar a cruz de toda culpa
E colocá-la no altar

Domingo tem a missa obrigatória
Ajoelhar perante a santa inquisição
Pras bruxas temos a fogueira
Pros santos nós temos o perdão

Você só tem que confessar
Pedir a Deus pra perdoar
Não tento atos de heroísmo
Mea culpa, mea culpa
Mão fechada do catolicismo

Nascer com o mal na alma
Pro batismo libertar
Carregar a cruz de toda essa culpa
E coloca-la no altar

A Santíssima Trindade ilumina o mistério
Pecar, blasfemar, essa é a nossa sina
Então engolir o corpo de Cristo
E agradecer essa herança divina

Você só tem que confessar
Pedir a Deus pra perdoar
Não tento atos de heroísmo
Mea culpa, mea culpa
Mão pesada do catolicismo

Morte Ao Anoitecer

(Marcelo Nova / Karl Hummel / Gustavo Mullem)

Nós ouvimos o som através do quarto
E procuramos a melhor sintonia
Os cães estavam tão inquietos
Naquela tarde longa, úmida e fria

Eu me lembro, morte ao anoitecer

Brindamos aos bons e velhos tempos
Erguemos taças cheias de vinho
Você estava tão meiga e pálida
Gotas vermelhas no lençol de linho

Eu me lembro, morte ao anoitecer

E o silêncio se abateu sobre a casa
Calando o suspiro de outros dias
Não éramos mais assim tão jovens
No álbum apenas velhas fotografias

Eu me lembro, morte ao anoitecer

Deus Me Dê Grana

(Marcelo Nova / Karl Hummel / Gustavo Mullem)

Senhor, vou lhe falar
Nunca pedi assim
Sempre rezei pros outros
Mas desta vez é pra mim
Perdi tudo o que eu tinha
Sei que fiz muita besteira
Mas se você não achar o meu bolso, Deus
Por favor coloque na carteira

Se eu fico aqui parado, nessa bobeira sem fim
Logo, logo os “home” vão estar atrás de mim
Você tá numa boa, é o dono do paraíso
Então me empresta uns trocados, Deus, é só disso que eu preciso

Deus me dê grana, Deus, por favor
Deus me dê grana, seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror

De manhã bem cedo, alguém bate em minha porta
É a proprietária que eu sonhei estava morta
Pulo pela janela na maior correria
Mas é muito difícil, Deus, com a barriga vazia

Deus me dê grana, Deus, por favor
Deus me dê grana, seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror

Quando passa aquela loura, que mora aqui do lado
Só de imaginar eu fico super excitado
Mas como eu posso armar uma treta decente
Se até me falta pasta, Deus, pra eu escovar os dentes

Deus me dê grana, Deus, por favor
Deus me dê grana, seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror

Senhor, eu sei que você é gente fina
Sei também que dureza nunca foi a minha sina
Aceito de bom grado uma bolada qualquer
Pode me dar em cheque, Deus, ou em dólar se puder

Deus me dê grana, Deus, por favor
Deus me dê grana, seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror

Deus me dê grana, Deus, por favor
Deus me dê grana, seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror

Ouro De Tolo

(Raul Seixas)

Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego
Sou um homem respeitado e ganho centos mil cruzados por mês
Eu devia agradecer ao Senhor por ter sucesso na vida
Eu devia estar feliz porque comprei o meu Monza 86
Eu devia estar alegre por morar aqui em Sampa
Depois de Ter passado fome lá na cidade marabichosa
Eu devia estar sorrindo por ter vencido na vida
Mas eu acho tudo isso uma piada perigosa

Eu devia estar contente porque eu consegui tudo que eu quis
Mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado
Porque foi tão fácil conseguir, eu pergunto: “E daí?”
Eu tenho tanta coisa pra fazer
E eu não vou ficar aqui parado

Eu devia estar feliz pelo Senhor me conceder o Domingo
Pra eu poder jogar pipoca aos macacos
Mas que sujeito chato sou eu
Macaco, praia, carro, vídeo game, eu acho tudo isso um saco!
É você olhar no espelho, se sentir um idiota
Saber que é humano, limitado e que só usa 10% da sua cabeça animal
E você ainda quer ser um doutor, padre, policial
Pra compor o nosso belo quadro social

Eu que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, esperando a morte chegar
Porque por trás das cercas que separam os quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador

Só O Fim

(Marcelo Nova / Karl Hummel / Gustavo Mullem)

Se o chão abriu sob os seus pés
E a segurança sumiu da faixa
Se as peças estão todas soltas
E nada mais encaixa

Ô crianças, isso é só o fim, isso é só o fim
Ô crianças, isso é só o fim, isso é só o fim

Algo que você não identifica
Insiste em lhe atormentar
Você implora por proteção
Não sabe como vai acabar

Ô crianças, isso é só o fim, isso é só o fim
Ô crianças, isso é só o fim, isso é só o fim

Esse calor insuportável
Não abranda o frio da alma
A vida já não é tão segura
E nada mais lhe acalma

Ô crianças, isso é só o fim, isso é só o fim
Ô crianças, isso é só o fim, isso é só o fim

Sempre acorda angustiado
E apressado você vai pra rua
Mas mesmo assim acordado
O pesadelo continua

Ô crianças, isso é só o fim, isso é só o fim
Ô crianças, isso é só o fim, isso é só o fim
Ô crianças, isso é só o fim, isso é só o fim
Ô crianças, isso é só o fim, isso é só o fim

O Que Eu Tenho De Fazer?

(Marcelo Nova / Robério Santana)

Me diga por favor, o que é que eu tenho de fazer
Eu faço qualquer coisa só pra dormir com você
Me diga por favor, o que é que eu tenho de fazer
Eu faço qualquer coisa só pra dormir com você

Posso lhe dar calor, e mais se você quiser
Me diga como você gosta, eu quero é ter você, mulher
Posso ser masoquista ou da polícia, não faz mal
Posso até ser rock star, um símbolo sexual

Me diga por favor, o que é que eu tenho de fazer
Eu faço qualquer coisa só pra dormir com você
Me diga por favor, o que é que eu tenho de fazer
Eu faço qualquer coisa só pra dormir com você

Serei Ronald Reagan ou outro herói ianque
Posso cuspir na sua cara, como faria um punk
Serei como os políticos que prometem a vida inteira
Ou crítico musical pra poder lhe falar besteira

Me diga por favor, o que é que eu tenho de fazer
Eu faço qualquer coisa só pra dormir com você
Me diga por favor, o que é que eu tenho de fazer
Eu faço qualquer coisa só pra dormir com você

Eu viro Homem-Aranha e entro pela sua janela
Serei débil mental como um galã de novela
Visto uma bermudinha como qualquer donzelo bobo
Viro até oligofrênico e entro no pique da Globo

Me diga por favor o que é que eu tenho de fazer
Eu faço qualquer coisa só pra dormir com você
Me diga por favor, o que é que eu tenho de fazer
Eu faço qualquer coisa só pra dormir com você

Tudo Ou Nada

(Marcelo Nova / Karl Hummel / Gustavo Mullem)

Velhas sensações nos perseguem todo dia
Nesta terra de sonhos, esperanças sem juízo
Mas os sonhos sempre viram pesadelo
Afinal o mal também mora neste paraíso

Máscaras de sorrisos sempre escondem
O nada estampado em nosso rosto
Tudo vai levado pela ventania
Ave nada, cheio de nada, nada é convosco

Desde o despertar até o adormecer
Sempre seguir a mesma estrada
Tudo desejar e nada entender
Tudo desejar e nada entender

O passado atormenta, o nada sempre está presente
Lutar pra que ele não nos alcance
E que o túnel escuro do nosso futuro
Nos reserve ao menos uma chance

O que parecia tudo, agora é nada
Sem nada nós queremos tudo
Contudo, parece que já não sabemos
De que vale tudo ou nada

Desde o despertar até o adormecer
Sempre seguir a mesma estrada
Tudo desejar e nada entender
Tudo desejar e nada entender

A Ferro E Fogo

(Marcelo Nova / Karl Hummel / Gustavo Mullem)

À noite na enseada, fazia calor
Havia barcos e navios, sob um céu sem cor
Corremos pelo convés, pra da cabine constatar
Que os mares são escuros pra um farol iluminar
Mas ficamos excitados, em poder viajar
Não importa o destino, serve pra qualquer lugar
Pra algum ponto perdido, em algum canto do mundo
Desafiar o oceano e a ira de Netuno

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados a ferro e fogo

Com lunetas lá na proa, enxergar novos amores
E trancar lá no porão, nosso medo e nossas dores
Saber onde fica a tal terra prometida
Que vai nos dar o pão e curar nossas feridas
Todos a bordo, o comandante gritou
Suspender a âncora, a viagem começou
Somos bravos, somos fortes, nada pode nos parar
Nem o vento, nem a chuva, nem os segredos do mar

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados a ferro e fogo

Venceremos os romanos e os seus galeões
Seu poder e sua glória, jogar aos tubarões
O vinho pra beber, o vento pra impulsionar
Singrar os sete mares e nunca mais votar
Mas um dia a calmaria aos poucos se fez perceber
Com seu silêncio traiçoeiro não nos deixou mover
Então as nuvens se uniram e o céu escureceu
E o que a gente não queria de repente, aconteceu

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados a ferro e fogo

Lá no alto mar a tempestade desabou
Entre raios e trovões o nosso sonho afundou
E nada mais restou, além daquele desejo insano
De com apenas nossos braços cruzar o oceano
Cada um por si, fique preparado
Estamos tão famintos e boiamos esgotados
Mas quase afogando, o desejo não termina
Pois navegar a esmo, talvez seja a nossa sina

Tudo isso um dia acaba pra de novo começar
Somos moldados a ferro e fogo

Simca Chambord // Camisa De Vênus - Correndo O Risco
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  7. O Que É Que Eu Tenho De Fazer? // Camisa De Vênus - Correndo O Risco
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  9. A Ferro E Fogo // Camisa De Vênus - Correndo O Risco