Album

Marcelo Nova E A Envergadura Moral

Marcelo Nova E A Envergadura Moral

Data de Lançamento : 20 / out / 1988
  1. Coração Sequestrado
  2. Papel De Bandido
  3. Ela Saiu Um Dia
  4. Algum Lugar
  5. Qual É A Sua Meu Rei?
  6. Imagens Na Memória
  7. A Gente É Sem Vergonha
  8. Canção Do Inverno
  9. Amanhã Não Estarei Mais Aqui

Letras

Coração Sequestrado

(Marcelo Nova)

Três e quinze da manhã e eu aqui
Algemado por lembranças, que sempre impedem de fugir
O meu coração sequestrado, cujo resgate não foi pago
Ninguém nunca o encontrou

Quando bebi da sua lágrima eu me afoguei
Quando comi da sua carne, fui devorando e nem pensei
No seu coração amedrontado, por alguém que lá no passado
Um dia o apunhalou

E a chuva que cai sobre as nossas cabeças
Não faz com que a gente esqueça
De achar que sempre há um sentido
Que nem tudo está perdido

E a chuva que cai sobre as nossas cabeças
Não faz com que a gente esqueça
De achar que sempre há um sentido
Que nem tudo está perdido

Três e quinze da manhã e eu aqui
Algemado por lembranças, que sempre impedem de fugir
O meu coração sequestrado, cujo resgate não foi pago
Ninguém nunca o encontrou

Quando bebi da sua lágrima eu me afoguei
Quando comi da sua carne, fui devorando e nem pensei
No seu coração amedrontado, por alguém que lá no passado
Um dia o apunhalou

E a chuva que cai sobre as nossas cabeças
Não faz com que a gente esqueça
De achar que sempre há um sentido
Que nem tudo está perdido

E a chuva que cai sobre as nossas cabeças
Não faz com que a gente esqueça
De achar que sempre há um sentido
Que nem tudo está perdido

Papel de Bandido

(Marcelo Nova)

Quando eu era um menino, em muitas brigas entrei
Algumas delas eu venci, então me sentia um rei
Hoje me chamam indecente, arrogante e traidor
Senhor, eu vou lhe confessar

É verdade que roubei mas sempre como Robin Hood
Outras vezes eu dei bobeira, mas fiz o melhor que pude
Inventei muitas histórias, outras tantas eu vivi
Menti, mas nunca deserdei

Então me responda, onde foi que eu errei
Você sempre me acusa, porque ainda eu não sei
Então me responda, onde foi que eu errei
Você sempre me acusa, porque ainda eu não sei

Engatinhando entre paredes, foi assim que eu cresci
Sempre esperando por alguém, que eu nunca conheci
Fiz papel de bandido em filmes de bang-bang
Mas sangue, não fui eu que derramei

Não temo o seu julgamento, nem algum castigo eterno
Sou sem sentido para o céu, sem interesse pro inferno
Sou contido, e sou intenso, sou querido e odiado
Nem culpado e nem tão inocente

Então me responda onde foi que eu errei
Você sempre me acusa, porque ainda eu não sei
Então me responda, onde foi que eu errei
Você sempre me acusa, porque ainda eu não sei

Ela Saiu Um Dia

(Marcelo Nova)

Com os óculos molhados ela espiou
Através das lentes embaçadas
Portas que sempre a detiveram
Corredores que não levaram a nada

E se nem tudo estava errado
Quase nada estava certo
Talvez bem longe eu enxergue
O que não vejo aqui por perto

E assim ela saiu um dia, pensando esquecer
E assim ela seguiu sozinha, tentando pertencer

Na mala alguns livros de Sartre
Nos braços os discos de rock
No coração seu maior segredo
Guardado pra que ninguém toque

E pra quem tem visão de água
A noite nem sempre é escura
“Se eu trago sujeira na face”, ela disse
“A alma vai estar sempre pura”

E assim ela saiu um dia, pensando esquecer
E assim ela seguiu sozinha, tentando pertencer

Mas lá fora na selvageria
Os lobos em cima dos morros
Com a cara virada pra lua
Imploram, uivam por socorro

E já não há água nestes rios de asfalto
Com margens de pedra e concreto
Nem pontes compridas, seguras
Nem porto que seja secreto

E assim ela saiu um dia, pensando esquecer
E assim ela seguiu sozinha, tentando pertencer

Gotas de medo se instalaram
Nos olhos da sua esperança
Não saber quem é o parceiro
E nem o ritmo da dança

Talvez haja tempo pra pensar
Talvez não haja o que fazer
O ontem é só uma lembrança
Amanhã não é o que devia ser

E assim ela saiu um dia, pensando esquecer
E assim ela seguiu sozinha, tentando pertencer

Algum Lugar

(Marcelo Nova)

Lá em algum lugar, pra lá do lado de lá
Lá em algum lugar, pra lá do lado de lá

Em que nenhum destino venha e possa nos carregar
E nenhuma surpresa venha nos fazer chorar
Ser perene, intenso, forte pra ficar
Nem haja força que nos consiga calar

Lá em algum lugar, pra lá do lado de lá
Lá em algum lugar, pra lá do lado de lá

Que não tenha gosto e não tenha de amargar
Lá onde até o tempo se recuse a apagar
Por essa estranha luz que insiste em nos cegar
Não mais mistérios que se queira desvendar

Lá em algum lugar, pra lá do lado de lá
Lá em algum lugar, pra lá do lado de lá

Pra que do adeus também se possa retornar
E enfim os deuses queiram de pronunciar
Onde não haja silêncio que se precise velar
E nem saudade que se tenha de aguentar

Lá em algum lugar, pra lá do lado de lá
Lá em algum lugar, pra lá do lado de lá

Qual É A Sua Meu Rei?

(Marcelo Nova)

Comprei uma nova visão
Em terceira dimensão
Maior que Deus e que o cão,
Mas ela não funcionou

Aí comprei uma imagem tão bela
Eu acendi duas velas
Sapato eu pus na janela,
Papai Noel não passou

Trabalhei até ficar tonto
Joguei mais de trezentos contos
E quando fiz treze pontos
Ganhei menos que apostei

O seu discurso é igual ao do resto
Ladrão pousando de honesto
Depois sou eu que não presto
Qual é a sua, meu rei?

E quem mergulhou na piscina,
Se afogou na latrina
Bebeu dois litros de urina
Pois a descarga quebrou

Mas é tão grave assim?
Lamento dizer que sim
O quadro é muito ruim
O paciente enfartou

Apertaram o garrote
E nem tiraram o capote
Armaram outro pacote
E eu que me ferrei

Você fala que nem um bacana
Mente que nem um sacana
Devia tá era em cana
Qual é a sua, meu rei?

É tanta mente engomada
A boca abotoada
E quando tomam porrada
É eu não vi, eu não sei

A nação foi chifrada,
A mesa tá emborcada
E se isso é piada,
Não fui eu que contei

Viva os tecnocratas
Viva os “burocratas”
Um viva pros psicopatas,
Que arrotam em nome da lei

Viva a promessa sem data
Essa ingenuidade é que mata
Ora, então viva Zapata
Qual é a sua, meu rei?

Imagens Na Memória

(Marcelo Nova)

Às vezes quando eu chego em casa, cansado vou deitar
Imagens vivas na memória, vêm me visitar
São amigos que tenho, gente que eu conheci
Pessoas que mesmo distante, nunca esqueci

Vera já não está em coma, seu coração parou
Ricardo pediu demissão, ele não suportou
Tita continua firme, casada com Manuel
Dayse me deu tantos presentes, ainda uso seu anel

Renata um dia cortou os pulsos, ela queria parar de viver
Claudia tinha tanto dinheiro, mas não sabia o que fazer
Rubão corria atrás de algo, eu não sei se ele encontrou
Franja e Walter desapareceram, juntos com o tempo que passou

Miguel, Albertino e Arthur, sempre foram leais
Seu Seba, Aécio e Do Rio, figuras não existem iguais
Nós jogamos, perdemos, ganhamos, mas não paramos de apostar
Por mais longe que eu esteja, sempre vou me lembrar

Eu sempre, sempre vou me lembrar

A Gente É Sem Vergonha

(Genival Lacerda / Acioli Neto)

A gente é sem vergonha
A gente é que não presta
O mundo pegando fogo
E nós aqui na festa

A gente é sem vergonha
A gente é que não presta
O mundo pegando fogo
E nós aqui na festa

É bomba, é bomba, é bomba, é foguete
É pau, é pedra, é bala, é cacete
E a gente aqui macumbando pro santo subir

A gente é sem vergonha
A gente é que não presta
O mundo pegando fogo
E nós aqui na festa

A gente é sem vergonha
A gente é que não presta
O mundo pegando fogo
E nós aqui na festa

É bomba, é bomba, é bomba, é foguete
É pau, é pedra, é bala, é cacete
E a gente aqui macumbando pro santo subir
E a gente aqui encangado que nem dois “siri”

A gente é sem vergonha
A gente é que não presta
O mundo pegando fogo
E nós aqui na festa

A gente é sem vergonha
E nós aqui na festa

É bomba, é bomba, é bomba, é foguete
É pau, é pedra, é bala, é cacete
E a gente aqui encangado que nem dois “siri”

Canção Do Inverno

(Marcelo Nova)

A chuva sempre me entristece, minha garota me faz sofrer
A chuva sempre me entristece, minha garota me faz sofrer
E quando elas chegam juntas, eu tenho que me proteger

Uma me põe pra dormir, a outra me tira da cama
Uma me põe pra dormir, a outra me tira da cama
E quando elas vão embora sempre deixam muita lama

Vê se param de encher, eu já não tenho mais idade
Vê se param de encher, eu já não tenho mais idade
E não sou raio nem trovão, pra conviver com tempestade

Amanhã Não Estarei Mais Aqui

(Marcelo Nova)

Hoje eu vou correr o risco
Mas acabo com o seu tédio
Hoje eu vou varar a noite
Ser seu afago e seu açoite

E amanhã não estarei mais aqui
E amanhã não estarei mais aqui

Hoje eu roubarei seu diamante
E cortarei seu coração
Vou temperar o fio da navalha
Pintar com o sangue que se espalha

E amanhã não estarei mais aqui
E amanhã não estarei mais aqui

Hoje eu resisto a qualquer coisa
Tudo, menos a tentação
Quero aplacar a minha sede
Lhe prensar contra a parede

E amanhã não estarei mais aqui
E amanhã não estarei mais aqui

Hoje eu vou chupar a sua alma
Vou perfurar suas entranhas
Tatuar meu dente em seu pescoço
Hoje lhe deixo pele sobre osso

E amanhã não estarei mais aqui
E amanhã não estarei mais aqui

Coração Sequestrado // Marcelo Nova - Marcelo Nova E A Envergadura Moral
  1. Coração Sequestrado // Marcelo Nova - Marcelo Nova E A Envergadura Moral
  2. Papel De Bandido // Marcelo Nova - Marcelo Nova E A Envergadura Moral
  3. Ela Saiu Um Dia // Marcelo Nova - Marcelo Nova E A Envergadura Moral
  4. Algum Lugar // Marcelo Nova - Marcelo Nova E A Envergadura Moral
  5. Qual É A Sua Meu Rei? // Marcelo Nova - Marcelo Nova E A Envergadura Moral
  6. Imagens Na Memória // Marcelo Nova - Marcelo Nova E A Envergadura Moral
  7. A Gente É Sem Vergonha // Marcelo Nova - Marcelo Nova E A Envergadura Moral
  8. Canção Do Inverno // Marcelo Nova - Marcelo Nova E A Envergadura Moral
  9. Amanhã Não Estarei Mais Aqui // Marcelo Nova - Marcelo Nova E A Envergadura Moral