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O Galope Do Tempo

O Galope Do Tempo

Data de Lançamento : 15 / nov / 2005
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  1. Fecundado
  2. O Galope Do Tempo
  3. Outubro De 65
  4. Ninguém Vai Sair Vivo Daqui
  5. Um Passo Pra Frente, Dois Pra Trás
  6. A Balada Do Perdedor
  7. Angel
  8. Algumas Vezes
  9. Poeira No Chão
  10. Inêz Dorme
  11. O Fantasma De Luis Buñuel
  12. A Torre Escura
  13. O Deus De Deus
  14. O Sonho
  15. Fim De Festa
  16. A Canção Da Morte

Letras

Fecundado

(Marcelo Nova)

Eu vi um ponto de luz pulsando no escuro
Sem fome, sem nome, aceso, sinalizando o futuro
De passagem na tela, sua imagem de alien não identificado
Vejo no ultrassom, ele seguido de perto, sendo rastreado

Era apenas mais um que nadava e rasgava um pequeno oceano
Dentre todos, você, o mais forte porque, o mais ágil o mais duro
Mas não sei que desejos, que sonhos e medos, nem mesmo quais planos
Podem estar contidos, num ponto de luz a pulsar no escuro

Eu vi um ponto de luz pulsando no escuro
Eu vi um ponto de luz pulsando no escuro

Eu vi um ponto de luz pulsando no escuro
Eu vi um ponto de luz pulsando no escuro

Não possui um corpo como o nosso, disforme, desajeitado
Sem mágoa sem culpa, sem queixa ou desculpa, ele não tem passado
Seu ritmo exato é seu alto retrato tão intenso e seguro
Eu vi um ponto de luz a pulsar no escuro

Lá dentro à espera de outra atmosfera, o grande desvendar
Bem lá no começo, onde nada tem preço, onde só há o fim
Num silêncio profundo, como respira o mundo, nesse fundo de mar
Sua vida e sua morte, luzindo no escuro, saíram de mim

Eu vi um ponto de luz pulsando no escuro
Eu vi um ponto de luz pulsando no escuro

O Galope Do Tempo

(Marcelo Nova)

Aí vai o galope do tempo no seu corcel alado
Não volta, não salta nem para, e nunca fica cansado
Sua crina envolve meus sonhos sem muita cautela
Com a guerra, a peste, a fome e a morte atreladas na cela

Como se fosse em busca de algo que nunca encontrasse
Deixando seu rastro nos vincos e rugas dessa minha face
Seus olhos gigantes não dançam nem piscam, parecem dopados
Assim vai o galope do tempo no seu corcel alado

Quando lhe encontrei não acreditei, pois você não existia
Como pode a ciência tentar explicar tamanha bruxaria
Esse pequeno invasor na noite do ventre, vir à tona um dia

Mas parece que hoje é apenas o ontem de amanhã
Então foi agora, nem faz uma hora, Adão mordeu a maçã
Sinto raiva do tempo, mas adoro esse vento que ele insiste em soprar
Expulsa por um aviso, ave do Paraíso, meus braços erguidos irão te amparar

Aí vai o galope do tempo no seu corcel alado
Sua trilha, caminho, nosso rumo e destino, seu significado
Vamos tentando encontrar algo que justifique esse estranho legado
Com a vida pulsando entre as patas e cascos deste corcel alado

Outubro De 65

(Marcelo Nova)

Pela manhã minha mãe virava a chave, mas o DKV não queria pegar
Meu pai mexia no motor e no platinado que esqueceu de trocar
Na traseira, um plástico grudado com a bandeira do Brasil
Era outubro de 65, minutos antes do ano 2000

Domingo, o sol pela janela derretia toda a minha preguiça
Só que pra chegar na praia, tinha antes de ir à missa
Então pegava minha revista e entrava no banheiro
Meia hora apreciando Raquel Welch de corpo inteiro

O jantar era na casa do Vô, que me abraçava e contava historias
Fazia mágica, estalava os dedos, no rádio o Bahia dava no Vitória
Então logo ia dormir, meus discos e desejos espalhados no chão
Sonhava com uma namorada e beijava o travesseiro na escuridão

Era outubro de 65, minutos antes do ano 2000

Era outubro de 65, minutos antes do ano 2000

Mas ela só falava em Jesus, Nossa Senhora, todos os santos, amém
Tinha um irmão que era retardado, mas Jesus o amava também
Jesus ainda amava o prefeito, mesmo ele sendo um ateu
E se meu cachorro morreu atropelado, vai ver que também foi por vontade de Deus

No dia seguinte, voltar pra escola, o tédio vai recomeçar
Eu já estou enjoado e o carro nem saiu do lugar
Então o escape do DKV dispara com um tiro de fuzil
Era outubro de 65, minutos antes do ano 2000

Era outubro de 65, minutos antes do ano 2000

Ninguém Vai Sair Vivo Daqui

(Marcelo Nova)

Já faz tanto tempo, eu tinha dezesseis
Ele caiu na minha mão, eu li pela primeira vez
Um livro tão estranho, me chamou atenção
Mr. Huxley me abriu as portas da percepção

Surgiram novos horizontes, tantas possibilidades
Encontrar o meu caminho, a busca da verdade
E talvez a mais simples que eu logo aprendi
É que ninguém vai sair vivo daqui

Não, não, ninguém vai sair vivo daqui
Ninguém vai sair vivo daqui

O tempo passou mais depressa que eu pensei
O que era uma exceção, agora parece ser lei
Gente bebendo chuva, pessoas comendo lixo
Dormindo nas calçadas, crianças virando bicho

No rádio uma canção feita pra anestesiar
Enquanto a voz lá no planalto parece comemorar
Então fica confirmado tudo aquilo que eu ouvi
Que ninguém vai sair vivo daqui

Não, não, ninguém vai sair vivo daqui
Ninguém vai sair vivo daqui

Alô vocês poetas, loucos e visionários,
Astros da TV, políticos, milionários
Você que mente e rouba, você que dá no pé
Você que é tão esperto, mas nunca sabe qual é

Tem gente que compra dor pra vender felicidade
Jesus disse que ela existe, mas só na eternidade
Restou apenas uma certeza em tudo que eu vi
É que ninguém vai sair vivo daqui

Na, na, na, na, na, ninguém vai sair vivo daqui
Ninguém vai sair vivo daqui

Um Passo Pra Frente, Dois Pra Trás

(Marcelo Nova)

O tempo vai voando, sai o ano, vira o mês
Tudo vai mudando então muda outra vez
Eu já não sou o mesmo, você está tão diferente
Tudo vai mudando, então muda novamente

Você ficou em silêncio e eu segui sozinho
Tudo foi girando dentro do redemoinho
O tempo vai passando, nada é o mesmo
E a ordem de tudo, é que tudo seja a esmo

Um passo pra frente, dois pra trás
Depois girando sem direção
Aprendendo os movimentos
Dançando ao sabor do vento
Rodopiando até cair no chão

As pessoas na mesa trocaram de lugar
Alguém perdeu a hora, horas não param de passar
Você está tão diferente, é tanta, é tanta gente
Tudo vai mudando, então muda novamente

Um passo pra frente, dois pra trás
Depois girando sem direção
Aprendendo os movimentos
Dançando ao sabor do vento
Rodopiando até cair no chão
Até cair no chão

A Balada Do Perdedor

(Marcelo Nova)

A noite parece tão promissora, luzes por todo lugar
Decotes, sorrisos, sussurros, cheiro de conquistas no ar
E eu aqui sozinho tentando fazer esse isqueiro funcionar
Parado em frente à porta do paraíso, mas sem vontade de entrar

Os astros cheiram o pó das estrelas e as trombetas estão soando
É no céu que se morre de tédio, os anjos estavam blefando
Eu conheci a mais bela vingança vestida de noiva no altar
Parado em frente à porta do paraíso, mas sem vontade de entrar

Essa é pra quem Deus não respondeu
Essa é pra quem o tempo esqueceu
Essa é pra quem não renasceu
Essa é pra quem jogou e perdeu

Essa é pra Paulo César que fez a mala e sumiu de vista
Essa é pra Marta que pulou da janela de um oitavo andar na Paulista
Eu ouvi os sons da dor e da fúria mudarem de lugar
Parado em frente à porta do paraíso, mas sem vontade de entrar

Essa é pra quem brindou ao destino e ao vento traiçoeiro
Essa é pra quem nunca entendeu o exato valor do dinheiro
Eu vi a areia do tempo entre meus dedos escorregar
Parado em frente à porta do paraíso, mas sem vontade de entrar

Essa é pra quem Deus não respondeu
Essa é pra quem o tempo esqueceu
Essa é pra quem não renasceu
Essa é pra quem jogou e perdeu

Mas não há porque sentir vergonha do ponto onde chegamos
Sobreviver é uma forma de arte na rua onde nós moramos
Não há sede que se possa aplacar, nem sonho que se queira sonhar
Parado em frente à porta do paraíso, mas sem vontade de entrar

Se certifique das suas intenções quando for preencher o papel
Pois é você que carrega a bagagem no corredor deste velho hotel
Aqui não há serviço de quarto e talvez você tenha que ficar
Parado em frente à porta do paraíso, mas sem vontade de entrar

Essa é pra quem Deus não respondeu
Essa é pra quem o tempo esqueceu
Essa é pra quem não renasceu
Essa é pra quem jogou e perdeu

Angel

(Marcelo Nova)

Sempre foi tão difícil esconder
Tudo o que eu não sabia
Não deixar a mão esquerda saber
Direito, o que a direita fazia

Os fios brancos do cabelo
Ah, meu orgulho sem sentido
Quis tocar na sua alma
Pelo caminho mais comprido

Oh, Angel

Houve um tempo em que não havia
Vento capaz de lhe levar
Nem no olho do ciclone
Nem nos grandes lábios do mar

O seu choro mais pungente
O que eu nunca escutava
Era o rastro do mistério
Que só você desvendava

Oh, Angel

Você nadou com as baleias
E foi brincar com os tubarões
Nada mais pode salvá-la
Nem sereias nem canções

Mas não há luz suficiente
Em toda essa escuridão
Que possa varrer a sua sombra
Dos cantos do meu coração

Oh, Angel

É muita tinta sobre a tela
Pra quem não sabe nadar
Mas o castanho dos seus olhos
Outros olhos irão guardar

Sob o negro dessa noite
Por onde sempre caminhamos
Fizemos todas as promessas
Tantas que já nem lembramos

Oh, Angel

Rogo aos deuses que a protejam
Mesmo sem saber rezar
Que o peso nos ombros
Não a faça envergar

E que a mais fria das damas
Ao lhe cobrir com seu véu
Lhe conceda um novo sopro
Mais uma brisa outro céu

Oh, Angel
Oh, Angel

Algumas Vezes

(Marcelo Nova)

Algumas vezes pensamos
Outras vezes não
Algumas vezes voamos
Com os pés no chão

Quebrando várias promessas
Outras consertando
Vamos passando
Vamos passando

Algumas vezes calados
Fazemos tanto barulho
Às vezes tão solitários
Pra sentir orgulho

Algumas vezes negando
Às vezes de vez em quando
Vamos passando
Vamos passando

Vamos passando, vamos sentindo
Alguns parando, outros seguindo
Vamos passando, vamos sentindo
Alguns parando, outros seguindo

Vamos passando, vamos sentindo
Alguns parando, outros seguindo
Vamos passando, vamos sentindo
Alguns parando, outros seguindo

Algumas vezes entorta
Outras vezes dá certo
Algumas vezes tão bravos
Com o medo por perto

Às vezes somos leais
Ou como Judas beijamos
Vamos passando
Vamos passando

Quebrando várias promessas
Outras consertando
Vamos passando
Vamos passando

Algumas vezes negando
Às vezes de vez em quando
Vamos passando
Vamos passando

Algumas vezes o ódio
Vem quando estamos amando
Vamos passando
Vamos passando

Às vezes é tão real
Algumas vezes sonhando
Vamos passando
Vamos passando

Poeira No Chão

(Marcelo Nova)

Qual a importância, se foi sonho ou foi real
Quando estivermos mortos será tudo tão igual
O tempo ri, o tempo passa, o tempo vai, o tempo esquece
E o vento ao seu redor é só o que permanece

Um dia todos vamos ser
Um dia todos vamos ser
Apenas poeira no chão
Apenas poeira no chão

Não vai dar nem pra ouvir o latido do cachorro
E também não adianta você gritar por socorro
Pois o diabo está bebendo e Deus já foi bodear
Sinto muito, meu amigo, não vai ter ninguém pra lhe recepcionar

Um dia todos vamos ser
Um dia todos vamos ser
Apenas poeira no chão
Apenas poeira no chão

Nós dançamos num telhado que vai um dia desabar
Os anéis saem dos dedos e os ossos vão secar
Sua carne apodrecida, logo um verme vai comer
Pergunte ao rei ou ao mendigo, eles logo vão dizer

Que um dia todos vamos ser
Que um dia todos vamos ser
Apenas poeira no chão
Apenas poeira no chão

A carruagem é pontual quando parte desse mundo
Esquecer pra todo sempre o ser num sono profundo
O vento afaga, esmaga, apaga é como o meu pai me disse
No final, sempre igual, é como se não existisse

Um dia todos vamos ser
Um dia todos vamos ser
Apenas poeira no chão
Apenas poeira no chão

Inêz Dorme

(Marcelo Nova)

Lá fora outro edifício, trezentos apartamentos
Um batalhão de pedreiros, todos cheirando cimento
Mas imune aqui dentro, Inêz dorme, Inêz dorme
Imune aqui dentro, Inêz dorme

O mundo empenou na tela da televisão
Deu tudo errado, derrapou, parece não ter jeito, não
Mas só a dois palmos do chão, Inêz dorme, Inêz dorme
A dois palmos do chão, Inêz dorme

Telefono, fumo e como, ansioso o dia inteiro
Traço a minha impaciência do quarto pro banheiro
Mas com o rosto no travesseiro, Inêz dorme, Inêz dorme
Com o rosto no travesseiro, Inêz dorme

Mais uma bala foi cuspida e por acaso passou rente
Balas de ódio e de ciúmes, balas tão feitas de gente
Mas tranquila, indiferente, Inêz dorme, Inêz dorme
Tranquila, indiferente, Inêz dorme

A noite traz a sombra de algum mal invisível
Fico atento observando, sei que nada é impossível
Mas distante, inatingível, Inêz dorme, Inêz dorme
Distante, inatingível, Inêz dorme

O Fantasma De Luis Buñuel

(Marcelo Nova)

Quem lhe ensinou a sorrir desse jeito
Quando tudo que eu quero é ficar sossegado
Se as evidencias não tivessem caído maduras
É muito provável que você as tivesse negado
Pensei já ter visto tudo isso em outro lugar
Sua boca pintada, sua língua espada, anjo exterminador

Quem de sã consciência viria parar aqui no fim do mundo
Onde o rei está morto e o carrasco no trono é quem toca o tambor
A semente da dúvida plantada no seu inconsciente
Sim, seu medo latente não lhe deixa pensar
E o fantasma de Luis Buñuel está pra chegar

Aqui dentro o silêncio é bem mais forte que o frio
Da pra sentir o ritmo do seu pequeno acesso de asma
Dá pra ouvir o guarda noturno correndo e apitando
Apavorado como se tivesse visto um fantasma
A lua solta no espaço exibe seu brilho, a sua dor
As flores mortas de sede estão secando no vaso

Seu destino pensado, não correu pro lado que você queria
É que a necessidade não tem a mesma pureza do acaso
Com os olhos fechados, pois acostumados a ver na escuridão
A noite se move, e se move, então chove, a noite vai desabar
Com o fantasma de Luis Buñuel a nos observar

São noventa pessoas vestidas e prontas para o jantar
Umas vieram em sonho, outras chegaram de trem
Elas trocam apertos de mão e presentes tão caros
Cada uma querendo o que a outra já tem
Ah, mas esses criados não ficam calados tão impertinentes
Disse a jovem senhora voltando as horas num relógio quebrado

E se o futuro me aguarda e ele não tarda nem chega atrasado
Que horas serão quando o tempo mudar para tempo passado
“Adeus” disse o tempo, e sorriu fechando a janela
E aquela senhora outrora tão jovem já parece morta
É o fantasma de Luis Buñuel que abre outra porta

Valquíria a noiva virgem que chegou das bermudas
Colocou a vaidade na mesa e verdade no chão
Seus olhos fontes de azul de tanta pureza
Conserva sua virgindade como uma perversão
Falou de um vagão de terceira, cheio de gente do povo
Que mais parecia um antigo e enorme acordeom

Abrindo e fechando, solando uma dança demente
Tão em cima dos trilhos e, no entanto, tão fora do tom
E se não é verdade então, talvez tudo seja ilusão
Só uma gargalhada que ecoa do lado de fora
E o fantasma de Luis Buñuel decide ir embora

A Torre Escura

(Marcelo Nova)

Não há nenhuma lua no céu
Alguns pontos de luz escorregam e brilham
Piscam e desaparecem por entre a espessa
Bruma aninhada sob arbustos
Calçadas e cacos de vidros

O ranger de metais das chaves do vigia
Não importuna as formigas
Que fazem filas sob os meus pés
Não há nenhuma lua no céu

Á minha frente à espada de dedo em riste
Jura inocência enquanto arrota
Fuligem e orvalho

Confiro os meus bolsos vazios
Em busca de algo que eu nem sei o que
Não sinto sono, fome, sede
Não sinto nada

Não há nenhuma lua no céu
Nem chuva, nem Vênus, nem fogo
Que ilumine a pequena torre
Onde o vigia expõe sua fronte crispada
Sua boca lacrada, sua alma cansada
De café e cansaço

Não há nenhuma lua no céu
Nenhum som na Terra
E o vigia dorme profundamente

O Deus De Deus

(Marcelo Nova)

Após ter criado o céu e a Terra, Deus parecia cansado
Tantos raios perenes de fúria e luz
De noites caladas, distantes azuis
Deus andava mesmo excessivamente preocupado
Então, Deus perguntou ao seu Deus, se ele abençoaria este mundo
Mas só obteve como resposta um silêncio profundo

Deus disse “Senhor, Vós que sois o meu Deus e criastes a mim
Vós que sois o mais justo, o bem infinito
Não me deixes pra trás nem sufoques meu grito”
Era verão e Deus não conseguiu dormir em seu próprio jardim
E vieram animais, serpentes, pardais às portas do paraíso
Dia e noite ocupado, um ser obcecado, como um Deus que perdeu o juízo

Do barro esculpiu, deu forma e cuspiu sua obra de arte
Inspirado e possesso arrancou-lhe a costela
Pra que outra mais bela pudesse criar
E pela primeira e última vez Deus chorou de emoção
Mas estava exausto e não quis entender o que chamou de pecado
“Que a Terra seja maldita, eu não quero vocês aqui do meu lado”

Como criaturas que estavam ao controle do seu criador
Enxertados que foram de ódio e vingança
Não gostaram da imagem nem viram semelhança
Os animais acharam que o seu Deus não era justo
Então, Deus perguntou a seu Deus “Tanto tempo e esforço pra quê?”
E pensou como seria se talvez, um dia, ao menos, pudesse entender

O Sonho

(Marcelo Nova)

Quando lhe encontrei não acreditei, pois você não existia
Como pode a ciência tentar explicar tamanha bruxaria
Esse pequeno invasor na noite do ventre, vir à tona um dia

Mas parece que hoje é apenas o ontem de amanhã
Então foi agora, nem faz uma hora, Adão mordeu a maçã
Sinto raiva do tempo, mas adoro esse vento que ele insiste em soprar
Expulsa por um aviso, ave do Paraíso, meus braços erguidos irão te amparar

E quando já não puder ver, por seus olhos enxergarei
E quando já não puder dizer, pela sua boca falarei
E quando já não puder tocar, com seus dedos sentirei
E quando já não mais existir, em você eu estarei

Fim De Festa

(Marcelo Nova)

É hora de dar meia volta
É hora de sair da festa
É hora de aproveitar
O tempo que ainda me resta
É chegada a hora de sair da festa

É hora de dar meia volta
A dança está chegando ao fim
É hora de acabar
Com essa viagem de ácido ruim
A dança finalmente está chegando ao fim

Às vezes não é bom lembrar
De algumas escolhas que fiz
O fantasma das decisões erradas
Sempre fez pouco de tudo que eu quis
De tudo que eu sempre quis

É hora de ficar atento
E de usar tudo o que eu sei
Mas vai ser difícil
Me livrar do que eu já me tornei
É hora de usar tudo o que eu sei

É hora de dar meia volta
E colher tudo que semeei
De encontrar um sentido
Pra tudo em que eu acreditei
É hora de colher o que eu semeei

Às vezes não é bom lembrar
De algumas escolhas que fiz
O fantasma das decisões erradas
Sempre fez pouco de tudo que eu quis
De tudo que eu sempre quis
De tudo que eu sempre quis
De tudo que eu sempre quis

A Canção Da Morte

(Marcelo Nova)

Ei, pai morte estou voando pro ninho
Nesta noite fria estou tão sozinho
Ei, velho pai, sigo o seu caminho

Irmão morte, não chora mais nada
Minha mãe também já descansa calada
Cavaleiro morte, por favor, traga a espada

Oh, criança morte, vá lamber sua sorte
Sugar o seio, beber sua morte
A dor se foi, ficou o corte

Bela esposa morte, sinto o seu pedido
Ei, vizinha morte, ouço o seu ruído
Irmã morte, doce é o seu gemido

Ei, pássaro morte, bata suas assas
Amante morte sua cova é rasa
Amiga morte, eu vou pra casa

Velho avô morte, seu cheiro não esqueço
Professora morte, eu lhe agradeço
Por me mostrar, tudo tem seu preço

Ei, pai morte, mais um adeus
Você me fez, então, meu Deus
Seus traços agora são meus

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