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22 agosto 2015

Eu vi o futuro, Drake, ele é uma festa

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2 Comentários
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A primeira vez que vi Marcelo Nova falando sobre Drake foi num programa de TV. Ele falava que tinha um filho com alguns meses de vida, além de duas filhas em idade adulta, e que essa condição o fazia sentir como um observador da natureza humana, voltando a viver a rotina de um bebê, 20 anos depois de suas primeiras experiências como pai. Era 1992.

Menos de 2 anos depois, em 1994 foi a primeira vez que o ouvi. Drake fazia sua estreia num álbum do seu pai. A Sessão Sem Fim, lançado em maio daquele ano, continha Drake´s Boogie, a nona faixa desse grande disco, penúltima do lado B. Uma celebração instrumental, onde Marceleza tocava todos os instrumentos, enquanto ouvíamos o pequeno Drake e seus ruídos de bebê. A propósito, o Sessão acaba de voltar às lojas.

Na contracapa de Eu Vi o Futuro, Baby, Ele é Passado, Drake aparece fazendo pose, como se fosse ocupar o lugar do seu pai, sucedendo-o no trono do rock. Naquela altura, ainda aos 6 anos, em realidade talvez ninguém visse realmente seu futuro.

Quando Drake passou a invadir os palcos com sua guitarra. Eu me deliciava. Em termos de rock, não havia nada mais anárquico e divertido. Principalmente porque não se tratava daquelas crianças prodígio insuportáveis. Ele entrava tocando um slide guitar alucinado, esculhambando com tudo e com todos. O palco era o seu quintal.

Lembro-me de quando fomos apresentados. Eu estava excitado porque era a primeira vez que visitava Marcelo Nova em sua casa. Drake chegou na sala como se estivesse saindo do banho, o cabelo molhado, cortado como na foto do Eu Vi o Futuro. Em minha memória ele usava a camiseta do time paulista pra quem torce. Me deu a mão, e acho que não disse nenhuma palavra. Isso foi há uns nove ou oito anos atrás.

Não muito tempo depois, lá estava ele de volta a acompanhar o pai no escritório. Ser filho do dono da empresa nunca lhe deu nenhum privilégio. Teve de ir se promovendo, cargo a cargo, de guitarrista participante, para guitarrista principal, de ator coadjuvante, para ator fundamental. De estagiário, a funcionário do mês.

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Em Hoje no Bolshoi, com 18 anos, o palco deixou de ser o quintal, e passou a ser o traseiro da menina que ele passava a mão, explorando-o tanto quanto como fazia com as cordas da sua guitarra.

Se Hércules teve 12 trabalhos, Drake Nova teve 12 Fêmeas. Esse álbum é sua certidão de maioridade. O que ele fez nesse disco é brincadeira. Brincadeira de homem. Se vivêssemos num mundo onde se desse valor ao que realmente tem valor, ele seria capa e pôster duplo de revista. Mas é como no futebol. Messi não ganhou a Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo. Nesse caso, azar da Guitar Player.

Ser um grande músico e ter seu primeiro álbum de estúdio premiado, não é pra qualquer um. Mas Drake é muito mais do que isso. Formado por uma das mais respeitadas escolas de negócio do país. Divertido, inteligente, bonito, criativo, amigo, filho, tio, namorado.

Sempre penso nele como alvo de um roubo meu. Às vezes quero roubar o pai dele para ser meu pai. Em outras, quero roubar ele para ser meu filho. Mas até parece que consigo ser mais rápido, quando percebo, ele já roubou minha carteira, roubou a atenção, roubou os sorrisos e os risos. É isso que ele faz.

Sim, eu vi o futuro. E você está lá, brilhando.

Feliz aniversário. Feliz dia do seu nascimento. Feliz mais um ano de vida. Feliz de nós, que temos você.

2 Respostas

  1. Luiz Renato Fernandes

    Pois é… o tempo voa!!! Me lembro que estava em Ilha Comprida-SP, a uns 17 anos atrás e teve uma apresentação do Marcelo de graça na orla da praia. Era um tipo de festival de verão, com diversos grupos de gêneros diferentes. Lembro de chegar e ver um palco na orla da praia. No caso, já era fã do Camisa e do Marcelo a um bom tempo, e fui até o quiosque de informações perguntar o que ia rolar. Recebi um folder com um monte de banda de Axé ( gênero em voga na época… 1999? 2000? por aí!)e no meio estava escrito ” Marcelo Nova e Banda “. Mas… o quê?? Pensei. Olhei de novo e não acreditei… o Marcelo, velho e bom Rocker, iria rolar um Rock’n Roll em meio aquela porcariada toda, naquele mesmo dia! Quase morri de êxtase.. e já fomos pra saideira, eu e um amigo que estávamos juntos de férias. Do resto, me recordo que tinha no máximo umas 20 pessoas vendo a apresentação. Quando o Marcelo entrou com a banda, e viu que tinha meio gato pingado, já soltou: “Já que o povo veio de férias pra ver Axé e não apareceu, vamos tocar Rock’n Roll pra vocês que vieram hoje a noite toda!”… foi algo do tipo. Só sei que piramos, só dava nós lá. Bem, ao que interessa sobre o texto, em certo momento ele chama um garotinho no palco. Este garotinho, de uns 7 ou 8 anos, não sei ao certo, entra com uma guitarrinha meio que havaiana, e toca com o Pai. Neste ponto, não me lembro, pois já estava alto de mais… acredito que este garotinho era o Drake, já dando seus acordes. Tenho fotos deste dia. Foi do CARALIO. De todas as bandas que vi até hoje ao vivo, este foi o melhor… de longe!

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